Percorrer por autor "Almeida, Carolina Correia"
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- ESTÁGIO III – Estágio de natureza profissional em Enfermagem de Cuidados à Família em contexto de USF ou UCSPPublication . Almeida, Carolina Correia; Menino, Eva Patrícia da Silva GuilhermeEnquadramento: A saúde das famílias é influenciada pelo meio que as envolve, onde a crescente modernização dos meios tecnológicos e consequente digitalização a que se assiste na sociedade têm exposto as gerações mais jovens a novas patologias como a adição sem substâncias. Esta problemática pode originar Necessidades de Saúde Especiais (NSE) nas crianças, impactando a dinâmica familiar e levando a stress, sobrecarga e outras comorbilidades para a família. O Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar detém as competências técnicas e científicas para intervir junto destas famílias, baseando a sua prática em modelos teóricos de Enfermagem fundamentados e na evidência científica. O presente relatório debruça-se sobre o percurso académico relativo ao Mestrado em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, sendo composto por uma contextualização da prática de Enfermagem de Saúde Familiar, nos Cuidados de Saúde Primários, em particular a Unidade de Saúde Familiar (USF) L, onde decorreram os ensinos clínicos em que foi possível desenvolver esta prática. Segue um capítulo dedicado aos modelos teóricos que guiaram a atividade desenvolvida. Posteriormente, debruça-se sobre as competências do enfermeiro especialista, gerais e específicas, e a forma como foram trabalhadas ao longo do percurso académico. De seguida, apresenta-se o capítulo sobre a Prática Especializada Baseada na Evidência, em que se desenvolveu a componente da investigação, complementando as bases teóricas com a dimensão prática. Objetivos: Foram realizados 2 estudos correlacionados. O primeiro – Estudo 1 -, tem por objetivo identificar crianças com NSE na USF L. O segundo – Estudo 2 – pretende avaliar a estrutura, o desenvolvimento e a funcionalidade de uma família com uma criança com NSE, particularmente adição sem substâncias. Métodos: Estudo 1 - quantitativo e descritivo, baseado na aplicação do Children with Special Health Care Needs (CSHCN) Screener a crianças entre os 3 e os 17 anos e 364 dias de idade inscritas e a frequentar consultas de Saúde Infanto-Juvenil na USF L. Estudo 2 - estudo de caso, de natureza qualitativa, baseado na avaliação familiar de uma família com filho com NSE, particularmente adição sem substâncias, utilizando o Modelo de Calgary de Avaliação e Intervenção Familiar, a escala de APGAR Familiar, a Escala de Risco Familiar de Segovia Dreyer e a Escala de Risco Familiar de García-Gonzalez. Resultados: Estudo 1 – Constatou-se que 58,3% (n= 7) da amostra (n=12) respondeu positivamente a pelo menos 1 das perguntas contempladas no CSHCN Screener, classificando-se como portadoras de NSE, com maior representação do sexo masculino (71,4%). 5 (41,7%) responderam positivamente à necessidade de toma de medicação prescrita e à utilização de serviços de saúde, saúde mental ou serviços educacionais, 4 (33,3%) à necessidade de terapia específica e 3 (25%) à limitação funcional e à existência de problema de saúde que requer acompanhamento ou tratamento. 2 crianças apresentaram necessidade de saúde especial associada a apenas uma dimensão contemplada no Screener, 1 (8,3%) da dependência e 1 (8.3%) da utilização de serviços. 3 crianças apresentaram necessidade associada a duas dimensões, em particular 2 (16,3%) na dependência e utilização de serviços e 1 (8,3%) na limitação funcional e utilização de serviços. 2 crianças apresentaram necessidade associada às três dimensões (16,7%). Estudo 2 – Realizou-se a avaliação de uma família reconstruída, composta por 5 elementos, tendo sido possível constatar comprometimento na ligação mãe/filho entre a mãe e a criança com adição sem substâncias, com relação de dependência, stress, sobrecarga e sono comprometido da mãe, comunicação verbal da criança com adição sem substâncias comprometida, coping familiar comprometido e satisfação com os cuidados de saúde comprometida. Obtiveram-se pontuações finais de 9 pontos na escala de APGAR Familiar. Não se identificou risco familiar através das escalas de risco familiar nomeadas, mostrando que a presença de NSE num elemento da família não implica necessariamente a existência de risco familiar, perante estas escalas. Conclusão: Os resultados obtidos no Estudo 1 sugerem uma tendência positiva para a presença de NSE na população pediátrica, predominantemente nas crianças do sexo masculino, embora a amostra limita requeira mais estudos e com maior abrangência. Por outro lado, a avaliação familiar realizada no Estudo 2 permitiu constatar o impacto familiar da adição sem substâncias, corroborando a evidência científica. Apesar disto, não se verificou comprometimento da satisfação com o funcionamento familiar ou risco familiar de acordo com as escalas aplicadas. Fomenta-se, assim, a necessidade de mais estudos que abordem a adição sem substâncias em crianças e o seu impacto a nível familiar. A realização deste relatório permitiu não só a consolidação dos conhecimentos e competências adquiridos ao longo dos ensinos clínicos e a mudança do paradigma da pessoa para a família, como mais cimentar a importância do papel do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar na abordagem das famílias, enquanto elemento de referência na promoção do seu funcionamento adequado.
