Percorrer por autor "Costa, Ana Filipa Eusébio da"
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- Perceção do enfermeiro de família acerca da dinâmica familiar no contexto da visita domiciliária ao recém-nascidoPublication . Costa, Ana Filipa Eusébio da; Rosa, Paulino GomesContexto: A visita domiciliária (VD) ao recém-nascido e à sua família representa um momento privilegiado de intervenção do enfermeiro de saúde familiar, numa fase de transição marcada pela chegada de um novo membro e pela reorganização das dinâmicas familiares. Esta prática permite um acompanhamento próximo e individualizado, favorecendo a avaliação do estado de saúde do recém-nascido, bem como a compreensão do contexto e das necessidades da família, essenciais para a promoção do bem-estar e do desenvolvimento saudável da criança. Objetivo: Esta revisão tem como objetivo conhecer a perceção dos enfermeiros de família na dinâmica familiar aquando primeira visita do recém-nascido ao domicílio. Métodos: Realizou-se uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL) com pesquisas em bases de dados científicas como PubMed e no agregador de bases de dados EBSCOhost, utilizando termos como “enfermeiros”, “parentalidade”, “visita domicílio” e “recém-nascido”, no período entre 2016 e 2026. A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, destacando as principais intervenções e conclusões. Resultados: As visitas domiciliares são uma intervenção privilegiada para apoiar precocemente a parentalidade e promover o desenvolvimento infantil, permitindo simultaneamente uma compreensão mais abrangente das vulnerabilidades e potencialidades das famílias. A referir que o domicílio constitui um espaço privilegiado, no qual os pais se manifestam mais confortáveis para expressar dúvidas, inseguranças e necessidades, favorecendo a construção de vínculo, confiança e uma comunicação aberta com os profissionais de saúde, nomeadamente, os enfermeiros. No mesmo sentido que a VD, em vez de se centrar apenas na doença ou no evento clínico, permite uma abordagem holística focada na família e no seu ambiente real de vida. Assim, o enfermeiro observa e compreende as rotinas diárias da família, os recursos disponíveis (rede de apoio), as dinâmicas relacionais (interações, conflitos e forças familiares) e as condições habitacionais (espaço físico, higiene, acessibilidade) que dificilmente seriam visíveis no ambiente institucional como por exemplo na consulta de enfermagem de saúde infantil. Conclusão: A revisão integrativa demonstra que a visita domiciliária ao recém-nascido se configura como uma intervenção da Enfermagem de Saúde Familiar, permitindo uma avaliação sistémica e contextualizada da família, com enfoque nas dinâmicas familiares, nos determinantes sociais da saúde e nos processos de transição para a parentalidade. Evidencia-se o papel do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar (EEESF) na construção de uma relação terapêutica baseada na confiança e empatia, facilitadora da comunicação e promotora do envolvimento da família no processo de cuidados, em consonância com os princípios dos cuidados centrados na família. Destaca-se ainda a relevância da visita domiciliária na identificação precoce de vulnerabilidades e fatores de risco, possibilitando a implementação de intervenções preventivas. Paralelamente, o EEESF assume um papel determinante na promoção da parentalidade, na capacitação e empowerment familiar, contribuindo para a adaptação saudável ao período pós-natal. Contudo, a evidência científica permanece limitada, reforçando a necessidade de investigação adicional, particularmente em contexto de cuidados de saúde primários, com enfoque na avaliação e intervenção nas dinâmicas familiares no período pós-natal.
