Percorrer por autor "Veiga, Filipa Maria Carrola Raposo da"
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- Cuidar sem Pressão: Projeto de Intervenção Comunitária na área da Prevenção de Úlceras por PressãoPublication . Veiga, Filipa Maria Carrola Raposo da; Menino, Eva Patrícia da Silva Guilherme MeninoO presente relatório final de estágio, descreve um percurso formativo estruturado e integrador em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública, no qual se consolidaram, na prática, os conhecimentos adquiridos nas disciplinas teóricas, orientados para o desenvolvimento das competências comuns do Enfermeiro Especialista (EE) responsabilidade profissional, ética e legal, melhoria contínua da qualidade dos cuidados, gestão dos cuidados e desenvolvimento das aprendizagens profissionais (OE, 2019); bem como das competências específicas do Enfermeiro Especialista de Saúde Comunitária e Saúde Pública (EESCSP), centradas na avaliação do estado de saúde das comunidades, na capacitação de grupos e comunidades, na participação na coordenação de programas de saúde comunitários e na colaboração na vigilância epidemiológica (OE, 2018). Neste percurso formativo foram desenvolvidas múltiplas atividades e intervenções que permitiram o desenvolvimento integrado destas competências, das quais se destacam: a elaboração do Diagnóstico de Situação de Saúde (DSS), que potenciou a competência de avaliação do estado de saúde das comunidades com base no Planeamento em Saúde, e a participação nas Consultas Respiratórias da Comunidade, no âmbito do Programa Nacional para a Tuberculose, através da realização de rastreios, inquéritos epidemiológicos e do desenvolvimento de um dashboard de monitorização de dados epidemiológicos locais, reforçando a colaboração na vigilância epidemiológica. Paralelamente, a participação na gestão da campanha vacinal Gripe/COVID-19, bem como a intervenção e dinamização de sessões de educação para a saúde, no âmbito dos Programas Nacionais de Saúde Escolar e Saúde Oral e do programa comunitário “Diabetes em Movimento”, contribuíram para o desenvolvimento das competências de capacitação de grupos e comunidades e de participação na coordenação de programas de saúde comunitários, através da promoção da literacia em saúde, do autocuidado e da prevenção da doença. Foi ainda possível desenvolver neste percurso, um projeto de intervenção comunitária, a partir de um problema priorizado do DSS, permitindo também a operacionalização integrada de todas as competências específicas do EESCSP. Do DSS realizado, emergiu como prioridade, a intervenção junto de pessoas dependentes com risco de Úlceras Por Pressão (UPP), num contexto de envelhecimento populacional e elevada dependência funcional. Neste âmbito, foi desenvolvido o projeto de intervenção “Cuidar sem Pressão”, centrado na capacitação de profissionais e cuidadores e na promoção de práticas baseadas na evidência, tendo para isso, sido realizado uma revisão integrativa da literatura sobre o tema. Este projeto foi sustentado na metodologia do Planeamento em Saúde, segundo Imperatori & Giraldes (1993), contemplando as suas diferentes etapas, desde o diagnóstico da situação, identificação e priorização de problemas, definição de objetivos, seleção de estratégias e planeamento das atividades, até à implementação e avaliação da intervenção, garantindo uma abordagem estruturada e orientada para a resposta às necessidades identificadas; e beneficiou especialmente dos constructos teóricos mobilizados para este estágio: Modelo de promoção da Saúde de Nola Pender e Teoria de Défice de Autocuidado de Dorothea Orem. Relativamente ao PIC implementado Cuidar sem pressão, para a capacitação dos enfermeiros, foi aplicado a este grupo, como estratégia diagnóstica o questionário APu-PT, cujos resultados evidenciaram atitudes globalmente positivas face à prevenção de UPP (79,5%; μ=3,18; σ=0,58) e posteriormente aplicado também o questionário PUKAT que revelou um nível de conhecimento moderado sobre a área da prevenção de UPP (58,7%; σ=23,2%), com maiores fragilidades nas medidas preventivas e no controlo da pressão/cisalhamento (49,7%–52,7%). Estes resultados evidenciam um desfasamento entre atitude dos enfermeiros e o seu conhecimento e prática, tendo sido, neste sentido, implementadas sessões de formação dirigidas às áreas de dificuldade identificadas. As formações foram globalmente muito bem avaliadas pelos profissionais, evidenciando elevada satisfação com a sua relevância, qualidade, aplicabilidade e desempenho do formador. Relativamente à capacitação dos cuidadores e utentes, foi aplicado um programa estruturado de ensino para a prevenção de UPP, no domicílio pelo programa da Equipa de Cuidados Continuados e Integrados (ECCI), especificamente à população de cuidadores e utentes com alto risco de UPP. Neste grupo, na caracterização dos cuidadores, verificou-se um perfil maioritariamente feminino, com idade média de 61,8 anos, elevada carga de cuidados e rede de suporte limitada, sendo que cerca de um terço apresentava sobrecarga. Já caracterização do grupo de utentes evidencia uma população maioritariamente masculina (70%), envelhecida (idade média de 70,5 anos), com elevada dependência funcional (Barthel médio de 26,4). Verifica-se alto risco de úlceras por pressão (Braden 13,3), baixo risco de queda na maioria dos casos, e risco nutricional em 20% dos utentes. Todos apresentam múltiplas comorbilidades, destacando-se a hipertensão arterial e a diabetes mellitus tipo 2 ambas presentes em 40% da população. Observa-se ainda neste grupo elevada prevalência de UPP (90%), principal motivo de admissão na ECCI, sendo 60% de grau 3 ou 4, predominantemente na região sacrococcígea (70%). A maioria desenvolveu-se no domicílio (66,7%), reforçando a necessidade de intervenção preventiva estruturada na comunidade. Sobre os resultados do programa estruturado de ensino junto de cuidadores e utentes, evidenciaram uma melhoria global das práticas preventivas, com aumento do cumprimento de 50% para 71,8% (+21,8 pp). Registaram-se ganhos na identificação de zonas vulneráveis (20% para 60%), reconhecimento de sinais clínicos (40% para 80%), avaliação diária da pele (70% para 100%) e mudança de fralda (50% para 80%). Persistiram limitações no reposicionamento (20% sem alteração) e na ingestão hídrica (40% para 50%), associadas a fatores individuais, socioeconómicos e de literacia em saúde. Em síntese, e pelo exposto, este percurso formativo permitiu o desenvolvimento de competências específicas do EESCSP, promovendo o empoderamento comunitário e contribuindo para ganhos em saúde nesta área, com implicações relevantes para a prática de enfermagem no contexto da prevenção de UPP, nomeadamente ao evidenciar a necessidade de formação contínua dos profissionais e a importância da implementação de programas de ensino estruturado no domicílio. Como contributos, destaca-se ainda a elaboração de um procedimento operacional para a sistematização de práticas nesta área na ULS BI, bem como o desenvolvimento de instrumentos de apoio ao trabalho, como o folheto dirigido a cuidadores, que reforçam a promoção de cuidados de qualidade, seguros e baseados na evidência.
