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- Precariedade, sustentabilidade e redes de apoio informais: trajetórias artísticas no ecossistema das Caldas da RainhaPublication . Jumbo, Carla Daniela Villagomez; Ribeiro, Teresa Domingas Lourenço Fradique; Afonso, Lígia Filipa DiasEsta investigação aborda a precariedade laboral no contexto artístico de Caldas da Rainha, Portugal. Centra-se nas estratégias de sustentabilidade desenvolvidas pelos artistas e designers que compõem a rede de apoio e criação na qual me integrei a partir da minha experiência como migrante latino-americana. O estudo parte de uma dupla questão: como se negocia a sobrevivência económica e profissional num ecossistema cultural como o de Caldas da Rainha, marcado por uma forte tradição artesanal? Que papel desempenham as redes informais, forjadas em oficinas partilhadas, festivais autogeridos e laços de amizade na sustentabilidade das trajetórias artísticas? O acesso e a seleção dos entrevistados respondem aos laços de confiança tecidos durante o meu processo de adaptação à cidade. Os artistas que participam neste estudo são, na sua maioria, ex-alunos da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, instituição que funciona como um viveiro de talentos e como um espaço de encontro onde começam a gestar-se muitas das redes que mais tarde sustentam as carreiras. As descobertas revelam um paradoxo central: a forte identidade vocacional dos artistas e a sua autenticidade e liberdade criativa, funcionam simultaneamente como motor de persistência e como fator que naturaliza a tolerância de condições precárias. As relações com as instituições culturais e as redes informais de apoio emergem como um amortecedor vital, mas frágil. Permitem partilhar recursos, espaços e oportunidades, mas não substituem a necessidade de direitos laborais efetivos. A estas tensões estruturais somam-se ameaças externas como a gentrificação que, ao elevar os custos de vida e dos ateliers, põe em risco a permanência dos artistas no território e corrói o ecossistema cultural que eles próprios contribuíram para ativar. O caso de Caldas da Rainha evidencia assim as contradições de um modelo que celebra a criatividade ao mesmo tempo que abandona os criadores à informalidade.
- Jardins: O crochet hiperbólico como representação da naturezaPublication . Cruz, Joana Quintanilha Fernandes Bicho; Bispo, Renato Jorge Costa LopesO presente projeto pretende desenvolver, através do crochet como meio expressivo, objetos têxteis interativos com uma linguagem emocional e psicológica, traduzida numa representação visual da natureza e na construção de uma narrativa que permita ao utilizador estabelecer uma relação mais próxima com o objeto. O conceito do projeto baseia-se numa ideologia de produção sustentável e independente, que se afasta de uma lógica económica destrutiva e privilegia a natureza humana, bem como a satisfação de necessidades emocionais. O desenvolvimento dos objetos segue uma lógica política e social marcada pela construção de uma natureza não económica, cuja gratificação pessoal se relaciona com uma perspetiva emocionalmente enriquecedora. A escolha do crochet como meio expressivo para este projeto partiu não só do interesse visual e criativo pela técnica, mas também da curiosidade pela fisicalidade e flexibilidade que esta matéria-prima oferece, permitindo desafiar e compreender as suas características físicas e assumir o seu controlo. O valor simbólico presente nos objetos assume um papel fundamental na interpretação do utilizador, que os percebe como produtos autênticos e indicadores de estados de espírito. Embora apresentem tipologias distintas, ambas as peças partilham aspetos comuns pois, foram desenhadas para funcionarem como objetos interativos, respondendo a questões relacionadas com o impacto, a versatilidade, a atribuição de significado e as reações e impressões do público. Reposicionar objetos de crochet em territórios inesperados para a sua natureza habitual provoca reações diversas, gera comunicação entre o público, capta a atenção e estimula o pensamento crítico através do questionamento. Convidar o público a fazer ou continuar o objeto, em vez de apenas o observar, é uma das formas interativas deste projeto, promovendo assim a comunidade, o equilíbrio, o ânimo e a ecologia através do crochet como prática manual.
