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- Revista Fundações: Mestrado em Design de Produto 2025/2026Publication . Cardoso, Carla M; Gomes, MartimO design já foi um campo previsível. Hoje é um território em disputa. Há quem insista que serve para resolver problemas. Outros acreditam que serve para os expor. Entre um e outro vive esta revista. Esta segunda edição de Fundações nasce num momento em que o design deixou de ser uma gaveta disciplinar e se tornou uma zona de fricção. Uma espécie de laboratório sem paredes onde convivem sensores, cultivos domésticos, mobiliário que responde à falta de espaço, protótipos especulativos e objectos que pedem ao utilizador mais do que um gesto automático. Nada aqui está interessado em ser neutro. O design nunca foi neutro. Os projectos apresentados pelos estudantes do segundo ano do Mestrado em Design de Produto são ensaios materiais sobre o que significa viver num mundo saturado de tecnologia, informação, urgências climáticas e contradições quotidianas. Alguns investigam o que acontece quando a casa deixa de ser um refúgio e passa a ser uma extensão da cidade e das suas tensões. Outros perguntam o que pode um objecto fazer além de cumprir uma função. Pode mediar um debate? Pode deslocar percepções? Pode exigir responsabilidade? Esta revista mantém a estrutura: sinopses dos projectos, recensões críticas e análise de casos de estudo. Não por tradição, mas porque pensar exige etapas e atrito. O design aqui não é um produto final. É processo. É hipótese. É tentativa. É erro (e às vezes é um erro que vale mais do que uma solução perfeita). Há um fio comum entre estes trabalhos: uma urgência em repensar a escala das coisas. O mobiliário adapta-se ao corpo que muda. A tecnologia adapta-se à pessoa, não o contrário. As plantas crescem dentro de módulos que cabem numa cozinha ou num quarto de 30 metros quadrados. A ética deixa de ser uma nota de rodapé e torna-se uma ferramenta de decisão. Se o ano passado discutíamos o design como mediação entre tecnologia, sociedade e sustentabilidade, este ano a pergunta muda: quem está no centro da equação? O utilizador? O planeta? A cultura material? O futuro? Ou a dúvida como método? Não existe consenso. Ainda bem. Fundações não procura uma resposta definitiva. Procura espaço para pensar. Espaço para experimentar. Espaço para falhar com intenção. Aqui, o design não tenta prever o futuro. Tenta torná-lo pensável.
