ESSLei - Mestrado em Enfermagem Comunitária - Área de Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública
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- A Atitude Face à Saúde-Doença dos Imigrantes: O Projeto ENGAGE como Promotor do Empoderamento ComunitárioPublication . Duarte, Silvia Maria Margarido; Nascimento, Tiago Filipe Rodrigues doO presente relatório resulta da conclusão do Mestrado em Enfermagem Comunitária: Área de Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública. Tem como objetivos realizar uma análise crítico-reflexiva sobre o desenvolvimento das competências comuns e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária e Saúde Pública, em contexto de Unidade de Saúde Pública e Unidade de Cuidados na Comunidade, ao longo do Estágio de Enfermagem Comunitária e Saúde Pública com relatório final, e descrever, com base na metodologia do Planeamento em Saúde, o projeto de intervenção comunitária ENGAGE, usando como referenciais teórico o Modelo de Madeleine Leininger e como modelo de intervenção o Modelo de Avaliação, Intervenção e Empoderamento Comunitário. Para sustentar a intervenção, foi realizada uma Revisão Integrativa da Literatura. Definido para o Projeto como questão de partida “Quais são os determinantes de saúde que afetam os imigrantes da Índia que residem no concelho da Marinha Grande?”, e tendo como objetivos: determinar os dados sociodemográficos dos imigrantes da Índia residentes na Marinha Grande; avaliar a perceção dos participantes quanto aos fatores determinantes da sua saúde e a dimensão que prioritariamente necessita de abordagem no empoderamento comunitário e identificar o nível de empoderamento comunitário da comunidade imigrante. População alvo os imigrantes provenientes da Índia, residentes no concelho da Marinha Grande. Foi utilizado como instrumento de recolha de dados a entrevista semiestruturada, tendo-se identificado como prioridade a atitude face ao estado de Saúde-Doença comprometida, associada à cultura. Posteriormente foi desenvolvido um grupo focal, para avaliar o nível de empoderamento da comunidade imigrante, através da Escala de Avaliação do Empoderamento Comunitário, chegando-se à conclusão de que esta comunidade tem um nível de empoderamento baixo em sete domínios. O desenvolvimento do empoderamento da comunidade imigrante indiana poderá contribuir para o aumento da sua literacia e capacitação, sendo estes promotores do acesso aos serviços de saúde, para isso é fundamental, no futuro, continuar a intervir nesta comunidade adequando os cuidados às necessidades reais e sentidas, obtendo ganhos em saúde.
- CAPACITAÇÃO DOS EDUCADORES ESCOLARES RESPONSÁVEIS POR CRIANÇAS COM DIABETES TIPO 1Publication . Silva, Lídia Maria Pinto da; Barros, Teresa Madalena Kraus Brincheiro HüttelIntrodução: O presente relatório tem como objetivo apresentar o trabalho desenvolvido, as competências adquiridas e os resultados obtidos, durante o Estágio do Mestrado em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública com relatório final. A Diabetes Mellitus é uma doença metabólica crónica que surge como um problema à nível mundial. A doença não afeta apenas as faixas etárias mais velhas, mas também afeta as crianças/ jovens e a sua sobrevivência depende da adequada gestão da sua diabetes. A Escola é um local de inclusão, devendo ser mobilizado os recursos para a gestão de situações intercorrentes da doença. É imprescindível a implementação de programas e estratégias que garantam um ambiente seguro da criança. Objetivo: Capacitar os educadores escolares para a apropriada gestão da diabetes tipo 1, em contexto escolar. Método: O projeto de intervenção teve por base a metodologia do planeamento em saúde, garantindo uma gestão adequada em todo o processo de planeamento, e ainda articulado com o referencial teórico de Enfermagem da Promoção da Saúde de Nola Pender. Procedeu-se a aplicação de um instrumento de recolha de dados aos educadores de criança com diabetes tipo1 antes e após as sessões de educação para a saúde. Foi também realizada uma revisão integrativa da literatura, o que permitiu incorporar e aplicar os novos conhecimentos obtidos, reforçando e suportando, assim, a intervenção numa prática baseada na evidência e utilizando bases de dados como uma ferramenta de procura de conhecimento rápida e fidedigna. Resultados: Verificou-se défice de conhecimento na gestão da diabetes: controle de sintomas, alimentação e regime terapêutico. A intervenção comunitária obteve resultados positivos, aumentando o nível de conhecimentos sobre diabetes, dos educadores escolares. Conclusão: Educar para a saúde é implementar atividades de aprendizagem, promover e desenvolver habilidades, consciencializando as pessoas para fazer escolhas informadas sobre os seus comportamentos de saúde e mudança de atitudes, de forma voluntaria. A educação para saúde é uma estratégia de intervenção eficaz no empoderamento e capacitação das pessoas, grupos ou comunidades. O caminho é longo, muito há ainda por fazer. A mudança tem de acontecer a nível do poder político, com reforço económico e de recursos humanos, ao nível das escolas, e com a devida regulamentação da formação da diabetes.
- Capacitação dos Enfermeiros de Saúde Escolar para o suporte a crianças e jovens com Diabetes Mellitus Tipo 1Publication . Santos, Mafalda Mariana Correia; Barros, Teresa Madalena Kraus Brincheiro HüttelO relatório apresenta-se como um processo de construção de saberes profissionais baseados na autorreflexão e análise, constituindo-se como um caminho para o desenvolvimento das competências do enfermeiro especialista e do enfermeiro especialista em saúde comunitária e de saúde pública. Numa abordagem inicial, no primeiro campo de estágio, procedeu-se à elaboração do diagnóstico de saúde da comunidade, emergindo como área problemática a Diabetes Mellitus. Partindo de uma necessidade já identificada pelo Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral, a inexistência de formação dos enfermeiros de saúde escolar, integrou-se o Projeto DARE+ para colmatar essas necessidades. A Diabetes Mellitus tipo 1 é uma doença metabólica e crónica que pode afetar pessoas de qualquer idade, a mesma desenvolve-se mais em crianças e jovens, tornando-se uma das doenças mais prevalentes em contexto escolar. A permanência da criança e jovem na escola abrange um período alargado do dia, neste sentido as recomendações internacionais orientam para que seja garantida a gestão adequada da doença neste contexto. O Projeto de Intervenção Comunitária, Projeto DARE+, segundo a metodologia do Planeamento em Saúde, teve como objetivo melhorar os conhecimentos dos Enfermeiros de saúde escolar através da formação avançada. Recorreu-se ao referencial teórico de enfermagem Modelo Sistémico de Betty Neuman para a tomada de decisão em enfermagem, que nos conduziu à intervenção comunitária. Desenvolveu-se uma Revisão Integrativa da Literatura com a seguinte questão de investigação: Quais são as intervenções de enfermagem dirigidas a enfermeiros de saúde escolar na área da diabete Mellitus tipo 1? Nas evidências obtidas identificou-se a importância da formação avançada aos respetivos enfermeiros. A avaliação da intervenção realizada teve lugar no segundo campo de estágio, que nos permitiu concluir que a formação reforçou as linhas de defesa dos enfermeiros de saúde escolar criando barreira aos stressores, isto é, à falta de conhecimento. Os resultados apontam para um aumento de conhecimentos médio de 86,6%, demonstrando o impacte positivo na formação deste grupo profissional. É essencial continuar a intervir com os Enfermeiros de saúde escolar com vista à uniformização dos conhecimentos e intervenções adequadas às crianças e jovens com as necessidades identificadas.
- Capacitar para Cuidar – Projeto de Intervenção Comunitária dirigido a cuidadores informais de uma Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC)Publication . Moreira, Maria Emília Teixeira da Silva; Costa, Catarina Inês AfonsoO envelhecimento demográfico, que marca a atualidade a nível global, tem-se traduzido num aumento progressivo das taxas de doenças crónicas, resultando num número cada vez mais expressivo de pessoas em situação de dependência no autocuidado e paralelamente, faz com que os cuidadores informais sejam um grupo vulnerável. É neste contexto que se apresenta este documento, que segue uma metodologia descritiva, crítica e reflexiva, espelhando todo o caminho percorrido para a aquisição e desenvolvimento de competências em Enfermagem de Saúde Comunitária na área de Saúde Comunitária e de Saúde Pública (EEECSCSP), com foco na capacitação dos cuidadores, através do treino de conhecimentos. Os ensinos clínicos decorreram numa Unidade de Saúde Pública (USP) da Administração Regional do Centro e numa Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) da Região Centro, sob a visão da Teoria de Dorothea E. Orem (2001), recorrendo à metodologia do planeamento, tendo seguido sequencialmente as suas etapas designadamente: diagnóstico da situação, definição das prioridades, delineamento dos objetivos, escolha das estratégias, elaboração e execução do projeto e avaliação, que se traduziu no desempenho e implementação de um Projeto de Intervenção Comunitária dirigido a cuidadores informais, com a designação “Capacitar para Cuidar.” Esta intervenção foi sustentada com a realização de uma revisão integrativa da literatura, com vista a uma prática baseada na evidência. O grande objetivo deste projeto é o de promover a capacitação dos cuidadores informais para a prestação de cuidados com foco na aquisição de conhecimentos através de um projeto de intervenção numa UCC. Foi operacionalizado num grupo de seis cuidadores informais, tendo sido aplicado o Questionário de Avaliação das Capacidades do Cuidador Informal (Dixe, 2021), antes e após a implementação do mesmo. Com a aplicação do projeto os cuidadores informais ficaram mais capacitados em todas as áreas do cuidar, sobressaindo o aumento de competências nas áreas mais problemáticas: Cuidar: Mobilidade passou de um score médio de 1,99±1,07 para 3,15±0,58; Cuidar: Transferências passou de um score médio de 2,10±1,10 para 3,61±0,52; Cuidar: Higiene Sanitária passou de um score médio de 2,17±0,99 para 3,68±0,46; Cuidar: Alimentação passou de um score médio de 2,57±0,85 para 3,62±0,50; Cuidados de higiene e conforto passou de um score médio de 2,88±0,92 para 3,75. Estes resultados reforçam a relevância do EEECSCSP na aposta em ganhos em saúde dirigidos a grupos vulneráveis, nomeadamente os cuidadores informais.
- Conhecimento sobre Infeções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) dos alunos do 9º ano da Escola Básica e Secundária Quinta das Flores e Conservatório de Música de CoimbraPublication . Simões, Cátia Solange Ferreira; Menino, Eva Patrícia da Silva GuilhermeEste relatório é composto por uma caraterização dos contextos de estágio realizados na Unidade de Saúde Pública (USP) “A” e na Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) “B”, seguida de uma descrição e análise das atividades e competências comuns e específicas do Enfermeiro Especialista de Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública desenvolvidas nestes contextos de estágio. É constituído ainda, por uma investigação secundária com revisão integrativa da literatura de acordo com as recomendações metodológicas do Joanna Briggs Institute Reviewer´s Manual nas bases de dados CINAHL Complete (via EBSCOhost) e MEDLINE Complete (via PubMed), com o objetivo de responder à questão de revisão: Qual a eficácia das sessões de educação para a saúde no conhecimento sobre Infeções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) dos alunos do 9º ao 12º ano? Elaborada de acordo com a mnemónica “PICo” – população(P), fenómeno de interesse (I) e contexto (Co). A população: alunos do 9º ao 12º ano; fenómeno de interesse: sessões de educação para a saúde sobre infeções sexualmente transmissíveis; contexto (Co): Contexto escolar. Após a aplicação de critérios de inclusão foram identificados 1814 estudos potencialmente relevantes tendo sido incluídos e analisados 20 estudos. Engloba também uma investigação primária, com elaboração e implementação do projeto de intervenção comunitária intitulado “Conhecimento sobre ISTs dos alunos do 9º ano da Escola Básica e Secundária da Quinta das Flores e Conservatório de Música de Coimbra”, tendo por base o modelo de Dahlgren e Whitehead (1991) e a metodologia do planeamento em saúde (Rodrigues, 2021). É um estudo quasi-experimental sem grupo de controlo, onde participaram 81 alunos. Tem como objetivos gerais avaliar os resultados das sessões de educação para a saúde nos conhecimentos sobre ISTs e contraceção através de estratégias educativas interativas e promover a vivência de uma sexualidade segura e responsável por parte dos adolescentes. Como instrumento para implementação do projeto foi aplicada a Escala de Avaliação de Conhecimentos dos Jovens – Adultos sobre Contraceção (Nelas, 2023) antes e após a intervenção, que consistiu em três sessões interativas de 45 minutos, abordando as temáticas ISTs, métodos contracetivos e comunicação e namoro. Os resultados demonstraram um aumento estatisticamente significativo no nível de conhecimentos dos alunos, com a pontuação média dos alunos a subir de 58,73% para 78,24%, representando um crescimento de 19,51%. Após a intervenção, verificou-se que 88,9% dos alunos aumentaram conhecimentos. Verificou-se ainda, que 65,4% dos alunos atingiram bons conhecimentos e 8,6% apresentaram conhecimentos muito bons, e nenhum aluno permaneceu com baixo conhecimento. O género não influenciou significativamente os conhecimentos acerca das ISTs e contraceção dos jovens no momento pré-intervenção, mas exerceu influência no momento pós-intervenção. Podemos afirmar que existem diferenças estatisticamente significativas de acordo com o género nos conhecimentos adquiridos, no momento pós intervenção, com as raparigas a apresentarem pontuações ligeiramente superiores em relação aos rapazes no pós-teste (80,23% vs. 75,18%, p = 0,033). Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre as turmas. Como principais conclusões, o estudo confirmou a eficácia das intervenções educativas interativas na promoção do conhecimento sobre ISTs e contraceção, alinhando-se com a pesquisa bibliográfica. O envolvimento dos alunos e professores foi positivo, reforçando a necessidade de integrar este tipo de projetos no programa de saúde escolar. A implementação de metodologias interativas e parcerias entre unidades de saúde e escolas tem um forte contributo para a prevenção das ISTs e adoção de comportamentos sexuais mais seguros.
- Cuidar Melhor - Promoção do Envelhecimento Ativo e Saudável através da Capacitação dos Auxiliares de Ação DiretaPublication . Moniz, Ana Catarina Cordeiro; Louro, Maria Clarisse Carvalho MartinsO envelhecimento demográfico, as alterações do padrão epidemiológico e na estrutura de comportamentos sociais e familiares da sociedade portuguesa, bem como as ameaças emergentes à saúde das comunidades, determinam novas necessidades em saúde, para as quais, urge organizar respostas adequadas, focalizadas na Promoção da Saúde (OE, 2017). As atividades promotoras de um Envelhecimento Ativo e Saudável surgem assim, como uma prioridade (Canhestro & Basto, 2016). Os Auxiliares de Ação Direta são os cuidadores principais e mais capacitados, tendo um papel fundamental na qualidade de vida dos utentes institucionalizados (Faleiro et al. 2015 & Falcão et al. 2020). O Enfermeiro de Saúde Comunitária e de Saúde Publica é o profissional de referência que se encontra em posição privilegiada para participar no desenvolvimento de programas e projetos de intervenção com vista à capacitação e empoderamento das comunidades na consecução de projetos de saúde coletiva e ao exercício da cidadania (OE, 2017). Definida a questão de partida: Quais as intervenções que promovem a capacitação dos Auxiliares de Ação Direta para a Promoção do Envelhecimento Ativo e Saudável nos Estabelecimentos Residenciais para Pessoas Idosos e da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados do Concelho de Porto de Mós? Foi desenvolvido o projeto “Cuidar Melhor”. Objetivo: Contribuir para a capacitação dos Auxiliares de Ação Direta para a promoção do Envelhecimento Ativo e Saudável da população institucionalizada. Método: Projeto de intervenção comunitária norteado pela metodologia do planeamento em saúde com o recurso ao Modelo de Promoção de Saúde de Nola Pender. Resultados: Foi realizada uma investigação, através da aplicação de questionário, obtendo-se uma amostra populacional de 93 Auxiliares de Ação Direta de quatro instituições do concelho de Porto de Mós. Os resultados foram cruzados com as necessidades sentidas pelas respetivas diretoras técnicas que focaram as áreas com carências de formação: alimentação, comunicação e lidar com a pessoas com demência. Foi priorizado o foco: conhecimento em comunicação comprometido. Realizaram-se intervenções para a comunidade de Auxiliares de Ação Direta do concelho: produção e divulgação de folheto sobre a importância da comunicação, sessão de Educação para a Saúde e criação de grupo no WhatsApp para troca de informações, conhecimentos e experiências. Conclusão: Com a implementação do projeto de intervenção “Cuidar Melhor” contribui-se para o aumento da capacitação dos Auxiliares de Ação Direta para a melhoria da sua prestação de cuidados e na promoção do Envelhecimento Ativo e Saudável dos utentes institucionalizados, em consonância com a Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável 2017- 2025 e cooperando para a operacionalização do atual Plano Nacional de Saúde 2021-2030.
- Cuidar sem Pressão: Projeto de Intervenção Comunitária na área da Prevenção de Úlceras por PressãoPublication . Veiga, Filipa Maria Carrola Raposo da; Menino, Eva Patrícia da Silva Guilherme MeninoO presente relatório final de estágio, descreve um percurso formativo estruturado e integrador em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública, no qual se consolidaram, na prática, os conhecimentos adquiridos nas disciplinas teóricas, orientados para o desenvolvimento das competências comuns do Enfermeiro Especialista (EE) responsabilidade profissional, ética e legal, melhoria contínua da qualidade dos cuidados, gestão dos cuidados e desenvolvimento das aprendizagens profissionais (OE, 2019); bem como das competências específicas do Enfermeiro Especialista de Saúde Comunitária e Saúde Pública (EESCSP), centradas na avaliação do estado de saúde das comunidades, na capacitação de grupos e comunidades, na participação na coordenação de programas de saúde comunitários e na colaboração na vigilância epidemiológica (OE, 2018). Neste percurso formativo foram desenvolvidas múltiplas atividades e intervenções que permitiram o desenvolvimento integrado destas competências, das quais se destacam: a elaboração do Diagnóstico de Situação de Saúde (DSS), que potenciou a competência de avaliação do estado de saúde das comunidades com base no Planeamento em Saúde, e a participação nas Consultas Respiratórias da Comunidade, no âmbito do Programa Nacional para a Tuberculose, através da realização de rastreios, inquéritos epidemiológicos e do desenvolvimento de um dashboard de monitorização de dados epidemiológicos locais, reforçando a colaboração na vigilância epidemiológica. Paralelamente, a participação na gestão da campanha vacinal Gripe/COVID-19, bem como a intervenção e dinamização de sessões de educação para a saúde, no âmbito dos Programas Nacionais de Saúde Escolar e Saúde Oral e do programa comunitário “Diabetes em Movimento”, contribuíram para o desenvolvimento das competências de capacitação de grupos e comunidades e de participação na coordenação de programas de saúde comunitários, através da promoção da literacia em saúde, do autocuidado e da prevenção da doença. Foi ainda possível desenvolver neste percurso, um projeto de intervenção comunitária, a partir de um problema priorizado do DSS, permitindo também a operacionalização integrada de todas as competências específicas do EESCSP. Do DSS realizado, emergiu como prioridade, a intervenção junto de pessoas dependentes com risco de Úlceras Por Pressão (UPP), num contexto de envelhecimento populacional e elevada dependência funcional. Neste âmbito, foi desenvolvido o projeto de intervenção “Cuidar sem Pressão”, centrado na capacitação de profissionais e cuidadores e na promoção de práticas baseadas na evidência, tendo para isso, sido realizado uma revisão integrativa da literatura sobre o tema. Este projeto foi sustentado na metodologia do Planeamento em Saúde, segundo Imperatori & Giraldes (1993), contemplando as suas diferentes etapas, desde o diagnóstico da situação, identificação e priorização de problemas, definição de objetivos, seleção de estratégias e planeamento das atividades, até à implementação e avaliação da intervenção, garantindo uma abordagem estruturada e orientada para a resposta às necessidades identificadas; e beneficiou especialmente dos constructos teóricos mobilizados para este estágio: Modelo de promoção da Saúde de Nola Pender e Teoria de Défice de Autocuidado de Dorothea Orem. Relativamente ao PIC implementado Cuidar sem pressão, para a capacitação dos enfermeiros, foi aplicado a este grupo, como estratégia diagnóstica o questionário APu-PT, cujos resultados evidenciaram atitudes globalmente positivas face à prevenção de UPP (79,5%; μ=3,18; σ=0,58) e posteriormente aplicado também o questionário PUKAT que revelou um nível de conhecimento moderado sobre a área da prevenção de UPP (58,7%; σ=23,2%), com maiores fragilidades nas medidas preventivas e no controlo da pressão/cisalhamento (49,7%–52,7%). Estes resultados evidenciam um desfasamento entre atitude dos enfermeiros e o seu conhecimento e prática, tendo sido, neste sentido, implementadas sessões de formação dirigidas às áreas de dificuldade identificadas. As formações foram globalmente muito bem avaliadas pelos profissionais, evidenciando elevada satisfação com a sua relevância, qualidade, aplicabilidade e desempenho do formador. Relativamente à capacitação dos cuidadores e utentes, foi aplicado um programa estruturado de ensino para a prevenção de UPP, no domicílio pelo programa da Equipa de Cuidados Continuados e Integrados (ECCI), especificamente à população de cuidadores e utentes com alto risco de UPP. Neste grupo, na caracterização dos cuidadores, verificou-se um perfil maioritariamente feminino, com idade média de 61,8 anos, elevada carga de cuidados e rede de suporte limitada, sendo que cerca de um terço apresentava sobrecarga. Já caracterização do grupo de utentes evidencia uma população maioritariamente masculina (70%), envelhecida (idade média de 70,5 anos), com elevada dependência funcional (Barthel médio de 26,4). Verifica-se alto risco de úlceras por pressão (Braden 13,3), baixo risco de queda na maioria dos casos, e risco nutricional em 20% dos utentes. Todos apresentam múltiplas comorbilidades, destacando-se a hipertensão arterial e a diabetes mellitus tipo 2 ambas presentes em 40% da população. Observa-se ainda neste grupo elevada prevalência de UPP (90%), principal motivo de admissão na ECCI, sendo 60% de grau 3 ou 4, predominantemente na região sacrococcígea (70%). A maioria desenvolveu-se no domicílio (66,7%), reforçando a necessidade de intervenção preventiva estruturada na comunidade. Sobre os resultados do programa estruturado de ensino junto de cuidadores e utentes, evidenciaram uma melhoria global das práticas preventivas, com aumento do cumprimento de 50% para 71,8% (+21,8 pp). Registaram-se ganhos na identificação de zonas vulneráveis (20% para 60%), reconhecimento de sinais clínicos (40% para 80%), avaliação diária da pele (70% para 100%) e mudança de fralda (50% para 80%). Persistiram limitações no reposicionamento (20% sem alteração) e na ingestão hídrica (40% para 50%), associadas a fatores individuais, socioeconómicos e de literacia em saúde. Em síntese, e pelo exposto, este percurso formativo permitiu o desenvolvimento de competências específicas do EESCSP, promovendo o empoderamento comunitário e contribuindo para ganhos em saúde nesta área, com implicações relevantes para a prática de enfermagem no contexto da prevenção de UPP, nomeadamente ao evidenciar a necessidade de formação contínua dos profissionais e a importância da implementação de programas de ensino estruturado no domicílio. Como contributos, destaca-se ainda a elaboração de um procedimento operacional para a sistematização de práticas nesta área na ULS BI, bem como o desenvolvimento de instrumentos de apoio ao trabalho, como o folheto dirigido a cuidadores, que reforçam a promoção de cuidados de qualidade, seguros e baseados na evidência.
- Desenvolvimento de competências especializadas em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública – Projeto “Diabetes na escola: capacitar para apoiarPublication . Silva, Paula Alexandra Pedroso Gonçalves; Louro, Maria Clarisse Carvalho MartinsA Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é das doenças crónicas mais comuns na infância em idade escolar. A sua gestão assenta, 24 sobre 24 horas (h), em três eixos fundamentais: administração de insulina, alimentação e atividade física, o que conduz à necessidade de apoio e supervisão em meio escolar por parte dos agentes educativos (docentes e não docentes). Atendendo ao período alargado de tempo do dia que a criança ou jovem passa na escola e ao número de refeições que aí pode fazer, leva a que sobre estes agentes educativos recaia o importante papel de reconhecimento de situações adversas e consequente atuação em eventos relacionados com a condição de saúde destes alunos, inclusão e sua saúde e bem-estar. Assim, para uma tomada de decisão segura e adequada estes devem possuir conhecimentos e estar capacitados para agir. O presente relatório reporta-se ao estágio nos dois contextos, Unidade de Saúde Pública (USP) e Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC), que decorreu entre 7 de setembro de 2023 e 23 de fevereiro de 2024. Inclui ainda, atividades desenvolvidas no Estágio I em contexto USP e no qual teve início o diagnóstico de situação que levou à presente intervenção. Este documento ajuda a refletir e demonstrar a forma como foram sendo desenvolvidas ao longo do percurso de aprendizagem as competências comuns do Enfermeiro Especialista (EE) e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública (EEESCSP) e serve para apresentar o projeto de intervenção “Diabetes na escola: capacitar para apoiar”. Assente no Programa Nacional para a Diabetes (PND) e no Programa Nacional de Saúde Escolar (PNSE), tem como objetivo principal promover o aumento do conhecimento e a capacitação dos profissionais docentes e não docentes dum Agrupamento de Escolas (AE) relativamente à DM1 em meio escolar, através da implementação de estratégias no âmbito dos cuidados especializados em Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública (ESCSP) desenvolvidas entre outubro de 2023 e fevereiro de 2024. Este relatório e a intervenção comunitária estão alicerçados, na metodologia do Processo de Planeamento em Saúde (PS), perfil de competências específicas do EEESCSP e no Modelo concetual de Sistemas de Betty Neuman. Na fase de diagnóstico de situação, foi aplicado como instrumento de colheita de dados um questionário, já utilizado em Portugal em populações de caraterísticas semelhantes, e a partir do qual avaliámos o conhecimento dos participantes relativamente à DM1 em cinco domínios e globalmente. São participantes, os agentes educativos (docentes e não docentes) do AE em estudo e da área de abrangência da USP e UCC. Após a análise descritiva dos dados verificámos que estes apresentavam o conhecimento sobre a DM1 comprometido que se refletia num défice de conhecimento na gestão da doença, nomeadamente do regime terapêutico. Ter agentes educativos devidamente capacitados diminuirá a possibilidade de ocorrência de complicações agudas da DM1, promoverá o controlo da doença e o bem-estar e contribuirá para um ambiente escolar mais seguro. Adequar estratégias de intervenção de modo a aumentar o conhecimento e a capacitação destes profissionais é fundamental, onde as competências específicas de EEESCSP privilegiam essa capacitação. As estratégias de intervenção foram principalmente a Educação para a Saúde (EpS) através de formação de curta duração e o estabelecimento de parcerias na comunidade. A avaliação da intervenção comunitária, de acordo com os indicadores definidos, permitiu observar que as metas estabelecidas foram alcançadas, refletindo-se no aumento do nível de conhecimento sobre a DM1 e da capacitação dos docentes e não docentes. Deste modo, concluiu-se que a intervenção desenvolvida ajudou ao aumento do conhecimento e da capacitação deste profissionais do AE em análise e simultaneamente a elaboração do projeto permitiu contribuir para o processo de capacitação de grupos e comunidades, área especifica de atuação do EEESCSP e da prestação de cuidados de promoção da saúde e prevenção da doença.
- Desenvolvimento de competências especializadas em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública - Uma revisão sistemática da literaturaPublication . Laranjo, Cíntia Bárbara; Louro, Maria Clarisse Carvalho MartinsIntrodução: O desenvolvimento da capacidade de regulação emocional incorpora as competência socioemocionais e permite que a criança compreenda, gira e expresse questões sociais e emocionais durante o seu ciclo de vida de forma bem sucedida. O sucesso académico é encarado como a relação qualidade/quantidade de trabalho efetuado durante o processo de aprendizagem com o alcance dos objetivos propostos. Este é intimamente influenciado pola capacidade de autorregulação emocional permite-lhes reconhecer as suas próprias emoções e a maneira mais adequada de lidar com elas e gerir de forma mais responsável a tomada de decisões, sejam relacionadas com a sua saúde ou com a sua vida. Objetivo: A presente revisão sistemática da literatura apresenta como objetivo geral a análise da relação entre a regulação emocional e o sucesso escolar em crianças. Método: Trata-se de uma revisão sistemática de literatura de associação, com recursos à mnemónica PEO. A pesquisa de informação foi conduzida em bases de dados científicas de acesso reservado e de acesso livre, utilizando os descritores “Emotional regulation”, “Academic success” e “Child*” com o operador booleano “AND”. Resultados: Verificou-se que efetivamente o desenvolvimento de autorregulação emocional em crianças apresenta direta e/ou indiretamente influencia sobre o sucesso académico. Os estudos apontam que crianças na primeira infância com capacidade de autorregulação emocional apresentam melhores resultados académicos 3 anos mais tarde. Referem ainda que a regulação emocional está associada ao sucesso escolar por intermédio da regulação da ansiedade, da autoeficácia e da atividade física produzindo em todos melhores resultados académicos. Realçam ainda que crianças que sofrem adversidades tendem a não ostentar capacidade de autorregulação emocional e por consequência piores resultados académicos. Por fim, crianças com capacidade de autorregulação emocional influenciam outras crianças a desenvolver a própria capacidade de autorregulação emocional e alcance do sucesso académico. São descritas diversas estratégias que promovem o desenvolvimento da capacidade de autorregulação emocional que acarretam benefícios no desenvolvimento escolar, nomeadamente na concentração, na atenção, na captação e interpretação assim como na obtenção de melhores resultados. Conclusão: O desenvolvimento da capacidade de autorregulação em crianças deve ser iniciado na primeira infância de forma que iniciem a educação formal munidas de estratégias benéficas para obterem sucesso académico, e deve ser mantida paralelamente à progressão do ensino.
- Educa-Me – Projeto de Intervenção ComunitáriaPublication . Sousa, Damiana Bajouco; Louro, Maria Clarisse Carvalho MartinsA profissão de enfermagem tem sofrido mudanças ao longo dos anos, o que tem levado à necessidade de incremento de competências, através da especialidade e do mestrado, por parte do enfermeiro para aumentar, manter ou reabilitar a saúde dos indivíduos e da comunidade, especializando-se em diversas áreas da prestação de cuidados. Numa primeira parte deste relatório deu-se primazia à reflexão crítica das competências do Enfermeiro Especialista (EE), através das atividades desenvolvidas no estágio. Numa segunda parte, deu-se relevância ao projeto que foi desenvolvido no estágio tendo como problemática inicial a obesidade infantil, que cada vez mais tem aumentado a sua prevalência e incidência. Este aumento deve-se às mudanças dos hábitos de vida, nomeadamente dos estilos de vida. Assim, cabe ao Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária e Saúde Pública (EESCSP), através das suas competências, e tendo a comunidade como foco dos cuidados, intervir nesta problemática. Para que esta intervenção resulte numa mudança de comportamentos saudáveis é necessário criarem-se parcerias com a comunidade, especialmente com a escola. Desta forma, reuniram-se esforços para promover hábitos de vida saudáveis, capacitando as crianças e respetiva família a alterarem os seus comportamentos. Este estágio culminou com o desenvolvimento do projeto Educa-Me. Este projeto teve como metodologia o planeamento em saúde e as suas diversas etapas. Aplicou-se um questionário para identificar as necessidades das crianças em estudo, nas áreas da alimentação e da atividade física. Após esta identificação foram delineadas estratégias e implementadas atividades que aumentassem a literacia na área da Dieta Mediterrânica (DM).
