ESSLei - Mestrado em Enfermagem Comunitária - Área de Enfermagem em Saúde Familiar
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- ADESÃO AO REGIME TERAPÊUTICO EM UTENTES PORTADORES DE DIABETES TIPO2 EM CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOSPublication . Canhoto, Carla Marina Serrenho; Rosa, Paulino GomesPretendeu-se neste relatório demonstrar a aquisição e consolidação da consciência profissional sobre o papel do enfermeiro especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, assim como as competências adquiridas durante o processo de aprendizagem, visando a obtenção do exercício profissional especializado, durante a frequência dos estágios do curso de mestrado na área referida, numa unidade de saúde familiar. Em consonância com estas competências, definidas em regulamento próprio, foram estabelecidos dois objetivos gerais para o desenvolvimento da componente clínica: cuidar da família, enquanto unidade de cuidados, de cada um dos seus membros, ao longo do ciclo vital, aos diferentes níveis de prevenção, liderar e colaborar nos processos de intervenção no âmbito da enfermagem de saúde familiar. Foi ainda realizado dois processos formativos às enfermeiras da unidade do local de estágio, com a realização da ação de formação sobre “Ciclo vital da família” e “Documentação dos Cuidados, no âmbito da dimensão estrutural, no Programa de Saúde da Família do SClinico®” e com acompanhamento individualizado na documentação dos cuidados, através da supervisão clínica de pares a cada enfermeiro da equipa durante 4 semanas. Constatou-se que os enfermeiros aumentaram os seus conhecimentos, melhoraram a perceção de competência neste âmbito e mudaram as suas práticas na documentação dos cuidados. Realizou-se um estudo académico sobre a adesão ao regime medicamentoso ao utente portador de diabetes tipo 2, no sentido de promover a adesão ao regime terapêutico dos utentes desta unidade. Os objetivos do estudo são conhecer as características sociodemográficas dos utentes da amostra, caracterizar suas atitudes em relação ao regime medicamentoso e relacionar essas características com a adesão terapêutica. A metodologia envolve um estudo quantitativo, descritivo, analítico, correlacional e transversal, com uma amostra não probabilística por conveniência de utentes da unidade de saúde familiar B que são acompanhados nas consultas de diabetes. Os dados foram coletados online, aplicados online, questionários sociodemográficos e pela aplicação da escala de Medida de Adesão Terapêutica validada para a população portuguesa. Os resultados demonstram que a maioria dos utentes seguidos nas consultas de diabetes são idosos, do género feminino com baixa escolaridade e polimedicados. No entanto, existe uma melhoria significativa na adesão ao regime medicamentoso em comparação com outros estudos internacionais. Importa ainda salientar que a conjugalidade, em que ambos são portadores de diabetes mellitus tipo 2, parece contribuir positivamente para a adesão ao tratamento. A conclusão destaca a importância da educação terapêutica, formando subsídios para a prática da enfermagem familiar, promovendo a aquisição e mobilização de conhecimentos e competências resultando na melhoria da literacia em saúde e ganhos para a saúde das famílias e indivíduos. A formação proporciona uma visão mais ampla da saúde, foco na promoção de estilos de vida saudáveis e na prevenção das complicações da diabetes, com o intuito da melhoria da qualidade de vida das famílias e comunidades. Isso complementa o trabalho do enfermeiro de família, que não se limita ao tratamento, mas também à prevenção e à educação em saúde, o que é essencial para intervenções mais eficazes e para o acompanhamento contínuo da saúde dos indivíduos ao longo do ciclo de vida. As atividades desenvolvidas possibilitaram a aquisição de competências específicas do enfermeiro especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, como a colheita de dados por meio de entrevista familiar sistémica e de instrumentos validados, o desenvolvimento de juízo crítico e da tomada de decisão, o planeamento dos cuidados em negociação com os membros das famílias, a intervenção com recurso a técnicas de intervenção sistémica e a avaliação dos cuidados.
- Capacitação Parental na Gestão da Alergia Alimentar na Infância: Contributos do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Saúde FamiliarPublication . Coito, Cláudia dos Santos; Rosa, Paulino GomesA alergia alimentar destaca-se como uma das doenças crónicas mais prevalentes na infância, afetando cerca de 6-8% das crianças em idade escolar, com tendência crescente. Trata-se de uma condição sem cura definitiva, cuja gestão assenta na evicção do alergénio, reconhecimento precoce de reações e resposta adequada a situações agudas. Neste contexto, a capacitação parental assume um papel central, sendo fundamental compreender o contributo do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar na gestão da alergia alimentar. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, com recurso às bases de dados MEDLINE, CINAHL e Nursing & Allied Health Collection, tendo sido selecionados cinco estudos segundo critérios PRISMA. Os resultados evidenciam que a gestão da alergia alimentar na infância representa um desafio multidimensional, com impacto físico, emocional e social. Destacam-se o medo e a ansiedade parental, com repercussões nos padrões alimentares bem como o impacto psicossocial na criança e família. Conclui-se que o Enfermeiro especialista enfermagem de saúde familiar assume um papel central na capacitação parental, promovendo intervenções educativas, apoio emocional e articulação com recursos comunitários, embora a evidência disponível em contexto comunitário português ainda seja limitada.
- Intervenções promotoras da transição para a parentalidade na figura paterna – estratégias do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde FamiliarPublication . Luís, Cátia Rafaela Almeida; Rosa, Paulino GomesEnquadramento: A enfermagem, enquanto disciplina científica centrada na pessoa, família, saúde e ambiente, assume um papel fundamental na promoção da saúde e na gestão das transições ao longo do ciclo vital. A transição para a parentalidade na figura paterna constitui um período crítico desse ciclo, exigindo do pai a reconstrução de papéis, rotinas e significados e, perante a ainda frequente exclusão dos pais dos cuidados de saúde, coloca o EEECESF numa posição central para identificar necessidades específicas, promover a adaptação, a participação ativa e a capacitação parental, contribuindo para cuidados efetivamente centrados na família. Objetivo: Este estudo, intitulado “Intervenções promotoras da transição para a parentalidade na figura paterna – estratégias do EEECESF”, teve como objetivo geral analisar as intervenções realizadas e as estratégias promovidas pelo EEECESF na promoção da adaptação e envolvimento de pais na transição para a parentalidade. Método: Revisão Integrativa da Literatura. Mnemónica PICo: População (P) - pais (homens) na transição para a parentalidade; Intervenção (I) – intervenções e estratégias realizadas pelo EEECESF na promoção da adaptação e capacitação parentais; Contexto (Co) – cuidados de saúde primários. Definiram-se critérios de inclusão que contemplaram estudos de diferentes metodologias, disponíveis na íntegra, de acesso livre, publicados nos últimos cinco anos em português, inglês, francês ou espanhol, e procedeu-se a uma pesquisa sistemática em bases de dados de enfermagem e saúde (PubMed e agregador EBSCOhost), com os termos “parentalidade”, “transição” e “enfermeiros” com posterior seleção dos estudos elegíveis e extração dos dados. Resultados: Tornar-se pai é vivido como uma experiência profundamente transformadora, em que os homens procuram criar estratégias flexíveis para se ajustarem à nova situação de vida, recorrendo frequentemente a recursos digitais como fonte de apoio e orientação. Os resultados mostram que o apoio profissional estruturado, assente numa relação de confiança, escuta ativa, acolhimento, estabelecimento de parceria, guia na aquisição do novo papel parental, o cuidado das emoções e a criação de um ambiente pacífico, associa-se a melhor qualidade da coparentalidade e a menos perturbações no vínculo pai-bebé. Em contraste, uma maior dependência exclusiva de apoio digital informal e a menor inclusão dos pais, sobretudo multíparos, nas visitas de saúde infantil relacionam-se com maior vulnerabilidade, pior qualidade da coparentalidade ao longo do tempo e mais dificuldades na construção da ligação ao bebé, sublinhando a importância de intervenções continuadas do EEECESF para sustentar o envolvimento paterno. Conclusão: A Revisão Integrativa da Literatura, permite concluir que o EEECESF dispõe de um conjunto diversificado de intervenções e estratégias com potencial para promover a adaptação e o envolvimento da figura paterna na transição para a parentalidade. As evidências mostram que incluir intencionalmente o pai nas consultas, reconhecer as suas necessidades específicas e promover o desenvolvimento de competências parentais contribui para uma maior participação paterna, reforço da confiança no papel de pai e melhor bem-estar familiar. Persistem, contudo, lacunas na formação dos profissionais, na organização dos serviços e nas políticas de saúde, que limitam a integração sistemática da perspetiva paterna nos percursos de cuidados familiares, evidenciando a necessidade de reforçar práticas pai-inclusivas em cuidados de saúde primários.
- Licenças Parentais e de Amamentação em Portugal: Uso, Perceções e Impacto na Dinâmica FamiliarPublication . Lopes, Cátia Isabel dos Reis; Rosa, Paulino GomesA conciliação entre a vida familiar e profissional constitui um desafio relevante no período pós-parto, fase marcada por exigências acrescidas de cuidado, reorganização familiar e adaptação à parentalidade. Neste contexto, as licenças parentais e de amamentação assumem particular importância enquanto instrumentos de apoio às famílias, de proteção da parentalidade e de promoção da igualdade entre mães e pais. O presente estudo teve como objetivo analisar o uso, as perceções e o impacto das licenças parentais e de amamentação em Portugal, procurando compreender de que forma estas se relacionam com a dinâmica familiar, a distribuição do tempo de cuidado parental e a conciliação entre vida profissional e familiar. Foi desenvolvido um estudo exploratório e descritivo, de natureza mista e transversal. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online, dirigido a famílias residentes em Portugal, em que pelo menos um dos progenitores exercesse atividade profissional, com filhos nascidos a partir de 2020. A amostra foi constituída por 452 participantes. Os dados quantitativos foram tratados com recurso ao Microsoft Excel e ao IBM® SPSS Statistics, tendo sido realizada análise estatística descritiva. As respostas abertas foram analisadas de forma complementar, através da identificação de categorias temáticas emergentes. Os resultados evidenciam um predomínio da licença parental inicial partilhada, embora a distribuição efetiva do tempo de cuidado continue a revelar uma maior centralidade da mãe. A escolha e a duração das licenças parecem ser influenciadas por fatores económicos, profissionais, familiares e organizacionais, evidenciando que estas decisões dependem não apenas da preferência das famílias, mas também das condições concretas em que vivem e trabalham. A licença parental alargada surge associada à necessidade de prolongar o tempo de cuidado, apesar da menor compensação económica. Verificou-se ainda uma elevada frequência de amamentação, sendo a dispensa para amamentação percecionada como relevante para a sua continuidade, embora condicionada pelas exigências laborais. As respostas abertas reforçam a importância das licenças na adaptação à chegada do bebé, na reorganização das rotinas, na partilha de cuidados e no fortalecimento do vínculo parental, evidenciando também uma perceção recorrente de insuficiência da sua duração face às necessidades das famílias. Conclui-se que as licenças parentais e de amamentação constituem recursos importantes para a vivência da parentalidade e para a dinâmica familiar, mas o seu usufruto permanece condicionado por fatores económicos, laborais, familiares e organizacionais. Os resultados sugerem a necessidade de maior atenção às condições concretas em que as famílias exercem estes direitos, bem como de uma intervenção em Enfermagem de Saúde Familiar sensível às dimensões do tempo de cuidado, da partilha parental, da amamentação e do regresso ao trabalho.
- Perceção do enfermeiro de família acerca da dinâmica familiar no contexto da visita domiciliária ao recém-nascidoPublication . Costa, Ana Filipa Eusébio da; Rosa, Paulino GomesContexto: A visita domiciliária (VD) ao recém-nascido e à sua família representa um momento privilegiado de intervenção do enfermeiro de saúde familiar, numa fase de transição marcada pela chegada de um novo membro e pela reorganização das dinâmicas familiares. Esta prática permite um acompanhamento próximo e individualizado, favorecendo a avaliação do estado de saúde do recém-nascido, bem como a compreensão do contexto e das necessidades da família, essenciais para a promoção do bem-estar e do desenvolvimento saudável da criança. Objetivo: Esta revisão tem como objetivo conhecer a perceção dos enfermeiros de família na dinâmica familiar aquando primeira visita do recém-nascido ao domicílio. Métodos: Realizou-se uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL) com pesquisas em bases de dados científicas como PubMed e no agregador de bases de dados EBSCOhost, utilizando termos como “enfermeiros”, “parentalidade”, “visita domicílio” e “recém-nascido”, no período entre 2016 e 2026. A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, destacando as principais intervenções e conclusões. Resultados: As visitas domiciliares são uma intervenção privilegiada para apoiar precocemente a parentalidade e promover o desenvolvimento infantil, permitindo simultaneamente uma compreensão mais abrangente das vulnerabilidades e potencialidades das famílias. A referir que o domicílio constitui um espaço privilegiado, no qual os pais se manifestam mais confortáveis para expressar dúvidas, inseguranças e necessidades, favorecendo a construção de vínculo, confiança e uma comunicação aberta com os profissionais de saúde, nomeadamente, os enfermeiros. No mesmo sentido que a VD, em vez de se centrar apenas na doença ou no evento clínico, permite uma abordagem holística focada na família e no seu ambiente real de vida. Assim, o enfermeiro observa e compreende as rotinas diárias da família, os recursos disponíveis (rede de apoio), as dinâmicas relacionais (interações, conflitos e forças familiares) e as condições habitacionais (espaço físico, higiene, acessibilidade) que dificilmente seriam visíveis no ambiente institucional como por exemplo na consulta de enfermagem de saúde infantil. Conclusão: A revisão integrativa demonstra que a visita domiciliária ao recém-nascido se configura como uma intervenção da Enfermagem de Saúde Familiar, permitindo uma avaliação sistémica e contextualizada da família, com enfoque nas dinâmicas familiares, nos determinantes sociais da saúde e nos processos de transição para a parentalidade. Evidencia-se o papel do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar (EEESF) na construção de uma relação terapêutica baseada na confiança e empatia, facilitadora da comunicação e promotora do envolvimento da família no processo de cuidados, em consonância com os princípios dos cuidados centrados na família. Destaca-se ainda a relevância da visita domiciliária na identificação precoce de vulnerabilidades e fatores de risco, possibilitando a implementação de intervenções preventivas. Paralelamente, o EEESF assume um papel determinante na promoção da parentalidade, na capacitação e empowerment familiar, contribuindo para a adaptação saudável ao período pós-natal. Contudo, a evidência científica permanece limitada, reforçando a necessidade de investigação adicional, particularmente em contexto de cuidados de saúde primários, com enfoque na avaliação e intervenção nas dinâmicas familiares no período pós-natal.
