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ESSLei - Mestrado em Enfermagem Comunitária - Área de Enfermagem em Saúde Familiar

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  • ESTÁGIO III – Estágio de natureza profissional em Enfermagem de Cuidados à Família em contexto de USF ou UCSP
    Publication . Almeida, Carolina Correia; Menino, Eva Patrícia da Silva Guilherme
    Enquadramento: A saúde das famílias é influenciada pelo meio que as envolve, onde a crescente modernização dos meios tecnológicos e consequente digitalização a que se assiste na sociedade têm exposto as gerações mais jovens a novas patologias como a adição sem substâncias. Esta problemática pode originar Necessidades de Saúde Especiais (NSE) nas crianças, impactando a dinâmica familiar e levando a stress, sobrecarga e outras comorbilidades para a família. O Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar detém as competências técnicas e científicas para intervir junto destas famílias, baseando a sua prática em modelos teóricos de Enfermagem fundamentados e na evidência científica. O presente relatório debruça-se sobre o percurso académico relativo ao Mestrado em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, sendo composto por uma contextualização da prática de Enfermagem de Saúde Familiar, nos Cuidados de Saúde Primários, em particular a Unidade de Saúde Familiar (USF) L, onde decorreram os ensinos clínicos em que foi possível desenvolver esta prática. Segue um capítulo dedicado aos modelos teóricos que guiaram a atividade desenvolvida. Posteriormente, debruça-se sobre as competências do enfermeiro especialista, gerais e específicas, e a forma como foram trabalhadas ao longo do percurso académico. De seguida, apresenta-se o capítulo sobre a Prática Especializada Baseada na Evidência, em que se desenvolveu a componente da investigação, complementando as bases teóricas com a dimensão prática. Objetivos: Foram realizados 2 estudos correlacionados. O primeiro – Estudo 1 -, tem por objetivo identificar crianças com NSE na USF L. O segundo – Estudo 2 – pretende avaliar a estrutura, o desenvolvimento e a funcionalidade de uma família com uma criança com NSE, particularmente adição sem substâncias. Métodos: Estudo 1 - quantitativo e descritivo, baseado na aplicação do Children with Special Health Care Needs (CSHCN) Screener a crianças entre os 3 e os 17 anos e 364 dias de idade inscritas e a frequentar consultas de Saúde Infanto-Juvenil na USF L. Estudo 2 - estudo de caso, de natureza qualitativa, baseado na avaliação familiar de uma família com filho com NSE, particularmente adição sem substâncias, utilizando o Modelo de Calgary de Avaliação e Intervenção Familiar, a escala de APGAR Familiar, a Escala de Risco Familiar de Segovia Dreyer e a Escala de Risco Familiar de García-Gonzalez. Resultados: Estudo 1 – Constatou-se que 58,3% (n= 7) da amostra (n=12) respondeu positivamente a pelo menos 1 das perguntas contempladas no CSHCN Screener, classificando-se como portadoras de NSE, com maior representação do sexo masculino (71,4%). 5 (41,7%) responderam positivamente à necessidade de toma de medicação prescrita e à utilização de serviços de saúde, saúde mental ou serviços educacionais, 4 (33,3%) à necessidade de terapia específica e 3 (25%) à limitação funcional e à existência de problema de saúde que requer acompanhamento ou tratamento. 2 crianças apresentaram necessidade de saúde especial associada a apenas uma dimensão contemplada no Screener, 1 (8,3%) da dependência e 1 (8.3%) da utilização de serviços. 3 crianças apresentaram necessidade associada a duas dimensões, em particular 2 (16,3%) na dependência e utilização de serviços e 1 (8,3%) na limitação funcional e utilização de serviços. 2 crianças apresentaram necessidade associada às três dimensões (16,7%). Estudo 2 – Realizou-se a avaliação de uma família reconstruída, composta por 5 elementos, tendo sido possível constatar comprometimento na ligação mãe/filho entre a mãe e a criança com adição sem substâncias, com relação de dependência, stress, sobrecarga e sono comprometido da mãe, comunicação verbal da criança com adição sem substâncias comprometida, coping familiar comprometido e satisfação com os cuidados de saúde comprometida. Obtiveram-se pontuações finais de 9 pontos na escala de APGAR Familiar. Não se identificou risco familiar através das escalas de risco familiar nomeadas, mostrando que a presença de NSE num elemento da família não implica necessariamente a existência de risco familiar, perante estas escalas. Conclusão: Os resultados obtidos no Estudo 1 sugerem uma tendência positiva para a presença de NSE na população pediátrica, predominantemente nas crianças do sexo masculino, embora a amostra limita requeira mais estudos e com maior abrangência. Por outro lado, a avaliação familiar realizada no Estudo 2 permitiu constatar o impacto familiar da adição sem substâncias, corroborando a evidência científica. Apesar disto, não se verificou comprometimento da satisfação com o funcionamento familiar ou risco familiar de acordo com as escalas aplicadas. Fomenta-se, assim, a necessidade de mais estudos que abordem a adição sem substâncias em crianças e o seu impacto a nível familiar. A realização deste relatório permitiu não só a consolidação dos conhecimentos e competências adquiridos ao longo dos ensinos clínicos e a mudança do paradigma da pessoa para a família, como mais cimentar a importância do papel do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar na abordagem das famílias, enquanto elemento de referência na promoção do seu funcionamento adequado.
  • Forças Familiares: Contributos para a Enfermagem de Saúde Familiar
    Publication . Amado, Carla Sofia dos Reis; Frade, João Manuel Graça
    O presente relatório descreve o percurso formativo realizado ao longo do mestrado, evidenciando o desenvolvimento de competências especializadas que sustentam a prática de enfermagem centrada na família enquanto unidade de cuidados, em contexto de cuidados de saúde primários, numa unidade de saúde familiar. A prática clínica desenvolvida assentou numa perspetiva sistémica, sustentada por referenciais teóricos e modelos de enfermagem que apoiaram a avaliação da família e a construção de intervenções ajustadas às suas necessidades, recursos e potencialidades. Ao longo dos estágios, foram desenvolvidas competências comuns do enfermeiro especialista e competências específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar, mobilizadas através do processo de enfermagem aplicado à família, nomeadamente na avaliação das suas diferentes dimensões, na formulação de juízos clínicos, no planeamento, implementação e monitorização de cuidados em parceria com a família. Paralelamente, foram aprofundadas competências nos domínios da ética, da qualidade, da gestão dos cuidados, da formação e da prática baseada na evidência. Foi desenvolvido um estudo quantitativo, transversal e descritivo-correlacional sobre as forças familiares na população residente em Portugal, com o objetivo de analisar os níveis de forças familiares percecionadas e a sua relação com variáveis estruturais, desenvolvimentais e funcionais do sistema familiar, recorrendo-se ao Questionário de Forças Familiares (QFF), instrumento validado para a população portuguesa, que avalia recursos familiares associados à organização familiar, às crenças partilhadas, ao suporte familiar e à expressão de emoções positivas no contexto da família. Os resultados evidenciaram níveis globalmente elevados de forças familiares e diferenças estatisticamente significativas em função da etapa do ciclo vital, da existência de filhos e da posição geracional, sugerindo que a perceção das forças familiares varia de acordo com o momento desenvolvimental da família, com a presença de filhos e a posição dos seus membros no sistema familiar. Em contrapartida, não se observaram diferenças estatisticamente significativas em função da tipologia familiar. Verificou-se ainda uma associação positiva entre os resultados do QFF e a satisfação com a funcionalidade familiar, bem como entre os resultados do QFF e a satisfação com a família. Estes achados reforçam a relevância das forças familiares enquanto recurso clínico e indicador do funcionamento familiar, evidenciando o seu contributo para a Enfermagem de Saúde Familiar ao sustentar a avaliação da família nas suas dimensões estrutural, desenvolvimental e funcional e o planeamento de intervenções centradas nas suas potencialidades, recursos e processos adaptativos, favorecendo a obtenção de ganhos em saúde.
  • Estágio III – Estágio de natureza profissional em Enfermagem de Cuidados à Família em contexto de USF ou UCSP
    Publication . Gomes, André Guerra; Menino, Eva Patrícia da Silva Guilherme
    Enquadramento: Este relatório de estágio decorre em contexto de Cuidados de Saúde Primários, reconhecidos como base do sistema de saúde e fundamentais na promoção da saúde e prevenção da doença. É fundamentado através do olhar de um mestrando em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar. As Unidades de Saúde Familiares (USF) assumem um papel central na prestação de cuidados personalizados e contínuos às famílias, nesse contexto, a enfermagem de saúde familiar destaca-se pela abordagem sistemática da família enquanto unidade de cuidados, integrando modelos teóricos como o Modelo de Calgary de Avaliação e Intervenção Familiar (MCAIF). Abordaremos todo o processo de aprendizagem adquirido através do ensino clínico, complementando com as competências de um enfermeiro especialista, tanto comuns como especificas. Falaremos ainda da prática especializada baseada na evidencia, esta fase através de dois estudos que se complementam entre si através da identificação de crianças com Necessidade de Saúde Especiais (NSE) e o estudo de uma família com uma criança com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) Objetivos: Apresentar o percurso de desenvolvimento das competências comuns e especificas de um Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar; caracterizar o contexto da prática clínica no âmbito da prática baseada na evidencia identificando crianças com necessidade saúde especiais numa USF e avaliar o funcionamento de uma família com uma criança com diagnóstico de PEA Métodos: Este relatório tem uma base maioritariamente descritiva e reflexiva do decorrer do estágio, apresenta ainda um estudo quantitativo com a aplicação do Children with Special Health Care Needs Screener (Pires et al., 2026), às crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 17 anos e 364 dias inscritas na unidade e um estudo qualitativo através da avaliação de uma família com filho com Necessidade de Saúde Especial, neste caso, PEA, recorrendo aos seguintes instrumentos: Modelo de Calgary de Avaliação e Intervenção Familiar, escala de APGAR Familiar, Escala de Risco Familiar de Segovia Dreyer e Escala de Risco Familiar de García-Gonzalez. Resultados: O estágio permitiu o desenvolvimento de competências comuns e especificas do enfermeiro especialista, nomeadamente nos domínios da responsabilidade ética e legal, melhoria continua da qualidade, gestão de cuidados e liderança em processos de intervenção familiar. Destaca-se a importância da relação terapêutica com a família, da personalização dos cuidados e relação interprofissional. Foram, ainda, desenvolvidas melhorias organizacionais e de capacitação dos utentes e cuidadores. Os resultados demonstraram que 47,4% das crianças avaliadas apresentam necessidades de saúde especiais, com predominância na dependência de medicação. No estudo familiar, identificaram-se fragilidades na comunicação, sobrecarga do cuidador e ausência de rede de apoio eficaz, tendo sido delineadas intervenções dirigidas à capacitação familiar e articulação de recursos. Conclusão: A experiência no estágio reforma a prática de enfermagem de saúde familiar, centrada na família, sustentada por modelos teóricos estruturados e pela evidencia científica revelando-se essencial na identificação precoce de necessidades e na implementação de intervenções unificadas para cada família. Os resultados, ainda, evidenciam a relevância dos cuidados de proximidade e a complexidade no papel de enfermeiro especialista na capacitação familiar e na promoção de ganhos de saúde
  • A família no mapa do cuidar: a importância atribuída à família nos cuidados de enfermagem: estudo comparativo entre enfermeiros de Ovar e Évora
    Publication . Leite, Ana Catarina de Almeida; Frade, João Manuel Graça
    Enquadramento: A família constitui um contexto central na vida das pessoas e assume particular relevância nos processos de saúde, doença, adaptação e transição. No âmbito da Enfermagem de Saúde Familiar, cuidar implica alargar o olhar para além da pessoa individualmente considerada, reconhecendo a família como unidade de cuidados, parceira no processo terapêutico e recurso fundamental na continuidade dos cuidados. Este relatório integra o percurso desenvolvido em contexto de estágio, articulando a prática clínica, os referenciais teóricos da Enfermagem de Saúde Familiar, o desenvolvimento de competências especializadas e a prática especializada baseada na evidência. A componente investigativa, integrada no projeto CuidarFam, centra-se na importância atribuída à família nos cuidados de enfermagem, na perspetiva dos enfermeiros, comparando os contextos de Ovar e Évora. Objetivos: O relatório teve como objetivo evidenciar o percurso de desenvolvimento de competências especializadas em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar. A investigação teve como objetivo geral analisar, comparativamente, o nível de importância atribuído à família nos cuidados de enfermagem, na perspetiva dos enfermeiros, em Ovar e Évora. Como objetivos específicos, pretendeu-se comparar esse nível de importância entre os dois contextos e analisar a sua associação com variáveis sociodemográficas e profissionais. Metodologia: Foi desenvolvido um estudo de abordagem quantitativa, descritivo, analítico, correlacional, comparativo e transversal. A amostra integrou 72 enfermeiros, dos quais 31 pertencentes a Ovar e 41 a Évora. A recolha de dados foi realizada através de um questionário constituído por dados sociodemográficos e profissionais e pela escala Importância das Famílias nos Cuidados de Enfermagem — Atitudes dos Enfermeiros (IFCE-AE). Os dados relativos a Ovar foram recolhidos através de questionário online, divulgado via Microsoft Forms, entre 27 de novembro e 10 de dezembro de 2025, enquanto os dados de Évora resultaram de uma recolha anterior, realizada no âmbito do mesmo projeto CuidarFam. A análise foi efetuada com recurso ao IBM SPSS Statistics, incluindo estatística descritiva e inferencial, com aplicação de testes paramétricos após verificação dos pressupostos estatísticos. Resultados: Os resultados evidenciaram que os enfermeiros de ambos os contextos atribuem elevada importância à família nos cuidados de enfermagem. A pontuação média total da IFCE-AE foi de 80,03 em Ovar e de 77,93 em Évora. Embora os enfermeiros de Ovar tenham apresentado uma média ligeiramente superior, a diferença entre os dois contextos não foi estatisticamente significativa, pelo que a hipótese relativa à existência de diferenças entre Ovar e Évora não se confirmou. Também não se verificaram associações estatisticamente significativas entre as variáveis sociodemográficas analisadas e o nível de importância atribuído à família. Relativamente às variáveis profissionais, apenas a área de especialização apresentou diferenças estatisticamente significativas, sugerindo que esta dimensão poderá influenciar a forma como os enfermeiros valorizam a família no processo de cuidar. Conclusão: O percurso desenvolvido permitiu consolidar a compreensão da família como unidade de cuidados e reforçar a importância da prática especializada baseada na evidência. Os resultados da investigação mostram que a família é globalmente valorizada pelos enfermeiros, embora essa valorização nem sempre garanta a sua integração plena, sistemática e documentada nos cuidados. Assim, torna-se necessário continuar a promover uma prática mais intencional, centrada na família, sustentada em modelos de avaliação e intervenção familiar, em registos que deem visibilidade ao cuidado familiar e em estratégias que aproximem aquilo que se reconhece como importante daquilo que se concretiza no quotidiano dos cuidados. A família no mapa do cuidar representa, deste modo, não apenas o tema do relatório, mas a síntese de uma forma de compreender a Enfermagem de Saúde Familiar: uma prática que olha a pessoa no seu contexto relacional, valoriza a evidência científica e reconhece cada contacto como oportunidade para cuidar também a família.
  • Estimulação Cognitiva na Doença Mental Crónica: Intervenção nos Domínios da Atenção e Memória: Relatório de Estágio
    Publication . Domingues, Dora Sofia Rodrigues; Gomes, José Carlos Rodrigues
    O presente relatório de estágio descreve e analisa criticamente o percurso de desenvolvimento de competências especializadas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica (ESMP), realizado no âmbito do Mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica da Escola Superior de Saúde de Leiria. O itinerário formativo percorreu três contextos assistenciais distintos: a Unidade de Cuidados na Comunidade de Ourém (ULS Médio Tejo), o Serviço de Internamento de Psiquiatria de Peniche (ULS Oeste) e o Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental das Caldas da Rainha. Ancorado na Teoria das Transições de Afaf Meleis e no modelo de Relações Interpessoais de Hildegard Peplau, o percurso focou-se na transição de papel do enfermeiro de cuidados gerais para o patamar de enfermeiro especialista. A prática clínica foi sustentada por intervenções de matriz cognitivo-comportamental, psicoterapêutica e socioterapêutica, centradas na capacitação do utente e da família para o processo de recovery. Atendendo às necessidades identificadas, foi implementado um Programa de Melhoria Contínua da Qualidade dos Cuidados de Enfermagem (PMCQCE) focado na estimulação cognitiva. A operacionalização deste programa permitiu sistematizar a intervenção especializada, utilizando a estimulação cognitiva como ferramenta para otimizar a funcionalidade e a autonomia dos utentes. Os resultados obtidos evidenciam ganhos em saúde mental, nomeadamente na manutenção de capacidades cognitivas remanescentes e no reforço da aliança terapêutica através do uso terapêutico do eu. Em conclusão, este relatório demonstra a integração de saberes teóricos e práticos, validando a aquisição das competências comuns e específicas exigidas pela Ordem dos Enfermeiros. O percurso revelou-se transformador, consolidando uma identidade profissional assente na peritagem clínica, na ética e na busca incessante pela excelência e segurança dos cuidados em saúde mental.
  • Capacitação Parental na Gestão da Alergia Alimentar na Infância: Contributos do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Saúde Familiar
    Publication . Coito, Cláudia dos Santos; Rosa, Paulino Gomes
    A alergia alimentar destaca-se como uma das doenças crónicas mais prevalentes na infância, afetando cerca de 6-8% das crianças em idade escolar, com tendência crescente. Trata-se de uma condição sem cura definitiva, cuja gestão assenta na evicção do alergénio, reconhecimento precoce de reações e resposta adequada a situações agudas. Neste contexto, a capacitação parental assume um papel central, sendo fundamental compreender o contributo do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar na gestão da alergia alimentar. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, com recurso às bases de dados MEDLINE, CINAHL e Nursing & Allied Health Collection, tendo sido selecionados cinco estudos segundo critérios PRISMA. Os resultados evidenciam que a gestão da alergia alimentar na infância representa um desafio multidimensional, com impacto físico, emocional e social. Destacam-se o medo e a ansiedade parental, com repercussões nos padrões alimentares bem como o impacto psicossocial na criança e família. Conclui-se que o Enfermeiro especialista enfermagem de saúde familiar assume um papel central na capacitação parental, promovendo intervenções educativas, apoio emocional e articulação com recursos comunitários, embora a evidência disponível em contexto comunitário português ainda seja limitada.
  • Intervenções promotoras da transição para a parentalidade na figura paterna – estratégias do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar
    Publication . Luís, Cátia Rafaela Almeida; Rosa, Paulino Gomes
    Enquadramento: A enfermagem, enquanto disciplina científica centrada na pessoa, família, saúde e ambiente, assume um papel fundamental na promoção da saúde e na gestão das transições ao longo do ciclo vital. A transição para a parentalidade na figura paterna constitui um período crítico desse ciclo, exigindo do pai a reconstrução de papéis, rotinas e significados e, perante a ainda frequente exclusão dos pais dos cuidados de saúde, coloca o EEECESF numa posição central para identificar necessidades específicas, promover a adaptação, a participação ativa e a capacitação parental, contribuindo para cuidados efetivamente centrados na família. Objetivo: Este estudo, intitulado “Intervenções promotoras da transição para a parentalidade na figura paterna – estratégias do EEECESF”, teve como objetivo geral analisar as intervenções realizadas e as estratégias promovidas pelo EEECESF na promoção da adaptação e envolvimento de pais na transição para a parentalidade. Método: Revisão Integrativa da Literatura. Mnemónica PICo: População (P) - pais (homens) na transição para a parentalidade; Intervenção (I) – intervenções e estratégias realizadas pelo EEECESF na promoção da adaptação e capacitação parentais; Contexto (Co) – cuidados de saúde primários. Definiram-se critérios de inclusão que contemplaram estudos de diferentes metodologias, disponíveis na íntegra, de acesso livre, publicados nos últimos cinco anos em português, inglês, francês ou espanhol, e procedeu-se a uma pesquisa sistemática em bases de dados de enfermagem e saúde (PubMed e agregador EBSCOhost), com os termos “parentalidade”, “transição” e “enfermeiros” com posterior seleção dos estudos elegíveis e extração dos dados. Resultados: Tornar-se pai é vivido como uma experiência profundamente transformadora, em que os homens procuram criar estratégias flexíveis para se ajustarem à nova situação de vida, recorrendo frequentemente a recursos digitais como fonte de apoio e orientação. Os resultados mostram que o apoio profissional estruturado, assente numa relação de confiança, escuta ativa, acolhimento, estabelecimento de parceria, guia na aquisição do novo papel parental, o cuidado das emoções e a criação de um ambiente pacífico, associa-se a melhor qualidade da coparentalidade e a menos perturbações no vínculo pai-bebé. Em contraste, uma maior dependência exclusiva de apoio digital informal e a menor inclusão dos pais, sobretudo multíparos, nas visitas de saúde infantil relacionam-se com maior vulnerabilidade, pior qualidade da coparentalidade ao longo do tempo e mais dificuldades na construção da ligação ao bebé, sublinhando a importância de intervenções continuadas do EEECESF para sustentar o envolvimento paterno. Conclusão: A Revisão Integrativa da Literatura, permite concluir que o EEECESF dispõe de um conjunto diversificado de intervenções e estratégias com potencial para promover a adaptação e o envolvimento da figura paterna na transição para a parentalidade. As evidências mostram que incluir intencionalmente o pai nas consultas, reconhecer as suas necessidades específicas e promover o desenvolvimento de competências parentais contribui para uma maior participação paterna, reforço da confiança no papel de pai e melhor bem-estar familiar. Persistem, contudo, lacunas na formação dos profissionais, na organização dos serviços e nas políticas de saúde, que limitam a integração sistemática da perspetiva paterna nos percursos de cuidados familiares, evidenciando a necessidade de reforçar práticas pai-inclusivas em cuidados de saúde primários.
  • Licenças Parentais e de Amamentação em Portugal: Uso, Perceções e Impacto na Dinâmica Familiar
    Publication . Lopes, Cátia Isabel dos Reis; Rosa, Paulino Gomes
    A conciliação entre a vida familiar e profissional constitui um desafio relevante no período pós-parto, fase marcada por exigências acrescidas de cuidado, reorganização familiar e adaptação à parentalidade. Neste contexto, as licenças parentais e de amamentação assumem particular importância enquanto instrumentos de apoio às famílias, de proteção da parentalidade e de promoção da igualdade entre mães e pais. O presente estudo teve como objetivo analisar o uso, as perceções e o impacto das licenças parentais e de amamentação em Portugal, procurando compreender de que forma estas se relacionam com a dinâmica familiar, a distribuição do tempo de cuidado parental e a conciliação entre vida profissional e familiar. Foi desenvolvido um estudo exploratório e descritivo, de natureza mista e transversal. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online, dirigido a famílias residentes em Portugal, em que pelo menos um dos progenitores exercesse atividade profissional, com filhos nascidos a partir de 2020. A amostra foi constituída por 452 participantes. Os dados quantitativos foram tratados com recurso ao Microsoft Excel e ao IBM® SPSS Statistics, tendo sido realizada análise estatística descritiva. As respostas abertas foram analisadas de forma complementar, através da identificação de categorias temáticas emergentes. Os resultados evidenciam um predomínio da licença parental inicial partilhada, embora a distribuição efetiva do tempo de cuidado continue a revelar uma maior centralidade da mãe. A escolha e a duração das licenças parecem ser influenciadas por fatores económicos, profissionais, familiares e organizacionais, evidenciando que estas decisões dependem não apenas da preferência das famílias, mas também das condições concretas em que vivem e trabalham. A licença parental alargada surge associada à necessidade de prolongar o tempo de cuidado, apesar da menor compensação económica. Verificou-se ainda uma elevada frequência de amamentação, sendo a dispensa para amamentação percecionada como relevante para a sua continuidade, embora condicionada pelas exigências laborais. As respostas abertas reforçam a importância das licenças na adaptação à chegada do bebé, na reorganização das rotinas, na partilha de cuidados e no fortalecimento do vínculo parental, evidenciando também uma perceção recorrente de insuficiência da sua duração face às necessidades das famílias. Conclui-se que as licenças parentais e de amamentação constituem recursos importantes para a vivência da parentalidade e para a dinâmica familiar, mas o seu usufruto permanece condicionado por fatores económicos, laborais, familiares e organizacionais. Os resultados sugerem a necessidade de maior atenção às condições concretas em que as famílias exercem estes direitos, bem como de uma intervenção em Enfermagem de Saúde Familiar sensível às dimensões do tempo de cuidado, da partilha parental, da amamentação e do regresso ao trabalho.
  • Perceção do enfermeiro de família acerca da dinâmica familiar no contexto da visita domiciliária ao recém-nascido
    Publication . Costa, Ana Filipa Eusébio da; Rosa, Paulino Gomes
    Contexto: A visita domiciliária (VD) ao recém-nascido e à sua família representa um momento privilegiado de intervenção do enfermeiro de saúde familiar, numa fase de transição marcada pela chegada de um novo membro e pela reorganização das dinâmicas familiares. Esta prática permite um acompanhamento próximo e individualizado, favorecendo a avaliação do estado de saúde do recém-nascido, bem como a compreensão do contexto e das necessidades da família, essenciais para a promoção do bem-estar e do desenvolvimento saudável da criança. Objetivo: Esta revisão tem como objetivo conhecer a perceção dos enfermeiros de família na dinâmica familiar aquando primeira visita do recém-nascido ao domicílio. Métodos: Realizou-se uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL) com pesquisas em bases de dados científicas como PubMed e no agregador de bases de dados EBSCOhost, utilizando termos como “enfermeiros”, “parentalidade”, “visita domicílio” e “recém-nascido”, no período entre 2016 e 2026. A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, destacando as principais intervenções e conclusões. Resultados: As visitas domiciliares são uma intervenção privilegiada para apoiar precocemente a parentalidade e promover o desenvolvimento infantil, permitindo simultaneamente uma compreensão mais abrangente das vulnerabilidades e potencialidades das famílias. A referir que o domicílio constitui um espaço privilegiado, no qual os pais se manifestam mais confortáveis para expressar dúvidas, inseguranças e necessidades, favorecendo a construção de vínculo, confiança e uma comunicação aberta com os profissionais de saúde, nomeadamente, os enfermeiros. No mesmo sentido que a VD, em vez de se centrar apenas na doença ou no evento clínico, permite uma abordagem holística focada na família e no seu ambiente real de vida. Assim, o enfermeiro observa e compreende as rotinas diárias da família, os recursos disponíveis (rede de apoio), as dinâmicas relacionais (interações, conflitos e forças familiares) e as condições habitacionais (espaço físico, higiene, acessibilidade) que dificilmente seriam visíveis no ambiente institucional como por exemplo na consulta de enfermagem de saúde infantil. Conclusão: A revisão integrativa demonstra que a visita domiciliária ao recém-nascido se configura como uma intervenção da Enfermagem de Saúde Familiar, permitindo uma avaliação sistémica e contextualizada da família, com enfoque nas dinâmicas familiares, nos determinantes sociais da saúde e nos processos de transição para a parentalidade. Evidencia-se o papel do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar (EEESF) na construção de uma relação terapêutica baseada na confiança e empatia, facilitadora da comunicação e promotora do envolvimento da família no processo de cuidados, em consonância com os princípios dos cuidados centrados na família. Destaca-se ainda a relevância da visita domiciliária na identificação precoce de vulnerabilidades e fatores de risco, possibilitando a implementação de intervenções preventivas. Paralelamente, o EEESF assume um papel determinante na promoção da parentalidade, na capacitação e empowerment familiar, contribuindo para a adaptação saudável ao período pós-natal. Contudo, a evidência científica permanece limitada, reforçando a necessidade de investigação adicional, particularmente em contexto de cuidados de saúde primários, com enfoque na avaliação e intervenção nas dinâmicas familiares no período pós-natal.
  • Avaliação e Intervenção Familiar em Cuidados de Saúde Primários para Famílias de Crianças com Necessidades de Saúde Especiais
    Publication . Barros, Ana Carolina Garcia; Menino, Eva Patrícia da Silva Guilherme
    Enquadramento: O presente relatório insere-se no âmbito do Estágio de natureza profissional em Enfermagem de Cuidados à Família, integrado no VIII Mestrado em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria. O percurso formativo decorreu em contexto de Unidade Saúde Familiar (USF) da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, permitindo o desenvolvimento progressivo de competências especializadas na prestação de cuidados centrados na família enquanto unidade de cuidados. A prática clínica foi sustentada por referenciais teóricos da Enfermagem de Saúde Familiar e por uma abordagem sistémica, sendo complementada por uma componente de prática baseada na evidência centrada nas necessidades de saúde especiais (NSE) em crianças, com particular enfoque no Transtorno do Défice de Atenção e Hiperatividade (TDAH). As NSE em crianças correspondem a condições que afetam a funcionalidade e requerem cuidados diferenciados, com impacto no desenvolvimento e bem-estar (OE, 2022). Estas crianças apresentam maior risco de problemas de saúde mental, exclusão social e dificuldades no acesso aos cuidados (OMS, 2023; Stevens et al., 2024). A presença de NSE implica desafios significativos para a família, nomeadamente stress, sobrecarga e impacto na saúde dos cuidadores (Stevens et al., 2024). A identificação precoce e a intervenção centrada na família são fundamentais para promover a adaptação e prevenir complicações (Okido et al., 2018). No caso do TDAH, enquanto perturbação frequente do neuro desenvolvimento, destaca-se a necessidade de reorganização familiar e de intervenções ajustadas às necessidades específicas (WHO, 2019; American Psychiatric Association, 2023; Wright & Leahey, 2011; Meleis, 2010). Objetivos: Desenvolver competências comuns e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar em contexto de cuidados de saúde primários; Caracterizar o contexto da prática clínica; e, no âmbito da prática baseada na evidência, identificar crianças com NSE numa USF e avaliar o funcionamento de uma família com uma criança com diagnóstico de TDAH. Metodologia: O relatório baseia-se numa abordagem descritiva e reflexiva do percurso de estágio, articulando uma análise crítica da prática clínica com uma componente de investigação. Esta integrou dois estudos, um quantitativo, com aplicação do Children with Special Health Care Needs Screener © (CSHCN Screener ©), e um estudo qualitativo, através de um estudo de caso de uma família com uma criança com TDAH. A avaliação familiar foi realizada com recurso ao Modelo de Calgary de Avaliação e Intervenção Familiar, complementado por instrumentos validados, nomeadamente a escala APGAR Familiar, Escala de Risco Familiar de Segovia- Dreyer, Escala de García-González, Escala de Readaptação Social de Holmes e Rahe e FACES II. Resultados: A prática clínica permitiu o desenvolvimento de competências ao nível da avaliação e intervenção familiar, da tomada de decisão clínica e da articulação com a equipa multidisciplinar, evidenciando a importância da continuidade de cuidados nos CSP. No âmbito do estudo, verificou-se que as NSE nem sempre estão associadas a diagnósticos médicos, manifestando-se sobretudo ao nível da funcionalidade e necessidade de vigilância contínua. Observou-se que as famílias podem apresentar níveis adequados de adaptação e funcionalidade, mesmo na presença de uma criança com NSE, coexistindo, contudo, fatores de risco como o aumento do stress parental e a sobrecarga do cuidador principal. Conclusão: O relatório evidencia que a Enfermagem de Saúde Familiar assume um papel central na resposta às necessidades das famílias em contexto de CSP, exigindo uma prática baseada na evidência, centrada na família e sustentada em modelos teóricos. A componente de investigação reforça a importância de uma abordagem multidimensional das NSE, centrada na funcionalidade e no impacto familiar. O desenvolvimento de competências ao longo do estágio permitiu consolidar uma prática autónoma, crítica e reflexiva, orientada para a promoção da adaptação familiar, da resiliência e da qualidade dos cuidados. Apesar das limitações associadas à dimensão da amostra, os resultados obtidos contribuem para a valorização da intervenção do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar.